sexta-feira, 20 de junho de 2008

Atitude

Cíntia e Alfredo já haviam chegado. Sentados na varanda, tomavam chimarrão com o pai enquanto esperavam Olívia, a irmã mais nova, encostar o carro.
- Oi pessoal, desculpem o atraso – disse ela ao subir o último degrau. Beijou e abraçou o pai que, depois de perguntar sobre a viagem, pediu-lhe que sentasse ao seu lado. Aquela conversa não seria fácil, por certo.
- Olívia – falou Alfredo, o irmão mais velho. – Já adiantei à Cíntia que está muito difícil cuidar da estância. E prosseguiu a falar sobre como as coisas mudaram desde que a mãe morrera. Dois homens sozinhos em uma casa, o pai doente, sem poder ajudar com nada, nem mesmo com os animais.
- Sei disso. Por que, então, não vendemos a fazenda e compramos um sítio? – sugeriu Olívia. - É menos trabalhoso. Mas Alfredo, de olhos baixos, disse-lhes que já estava cansado de viver no interior. Na verdade, havia conseguido um emprego na serralheria da cidade.
- Mas o pai precisa de companhia – falou Cíntia. – Alguém que cuide dele o tempo inteiro.
Cíntia morava na cidade vizinha com o marido e dois filhos.
- Uma mulher seria o ideal – precipitou-se Alfredo.
-Talvez – respondeu Olívia. – Ou alguém preparado para cuidar com carinho de pessoas idosas – e logo emendou: - na verdade, de pessoas especiais.
O pai, que ouvia a tudo quieto, sabendo do peso que se tornara para os filhos, primeiro disse-lhes que ele havia cuidado do nono deles até o fim. Mas entendia que os tempos eram outros e que cada um tinha seus compromissos e a própria família. Por fim, comunicou o consentimento que todos, entre receios e dor, queriam ouvir:
- Façam comigo o que acharem melhor.

4 comentários:

AKessler disse...

Ai, que triste, Vivi! Mas adorei a narrativa. Parabéns! Beijo grande, Ana

Vivi Grespan disse...

Obrigada! Pois é, ficou meio triste...

Beijo

BLOG DA INA disse...

Adorei a linguagem do texto, embora seja um trecho a gente entende todo o contexto da situação
Beijinhus e Parabéns

Anônimo disse...

Vivi, achei dez esta narrativa...bjinhos